REZAR EM LÍNGUAS E O TESTEMUNHO DE UM PIEDOSO FREI
REZAR FAZENDO SONS SEM SIGNIFICADO?
A RCC (Renovação Carismática Católica)
Não inventou os dons e carismas.
Eles sempre existiram na Igreja. A RCC apenas teve o trabalho de evidencia-los, e recordar os fiéis católicos, de que nossa Igreja é mística e carismática.
Já houve grande dificuldade no passado a respeito dos dons carismáticos, experiências místicas e sobrenaturais.
Houve um tempo em que a Santa Igreja precisou proibir certos tipos de manifestações carismáticas, para não serem confundidas ou misturadas com práticas de paganismo da época.
Havia alguns grupos heréticos, que se diziam receber o Espírito Santo, e falavam línguas estranhas, chegando a enganar e confundir a muitos.
Nesse sentido, muitos Santos da Igreja, como São Tomás de Aquino, chegaram a condenar a crença de que rezar emitindo sons "sem significado" seria uma ação do Espirito Santo, ou o dom de que falava São Paulo aos coríntios.
No entanto, essas proibições foram salutares, pois ajudaram a apagar a curiosidade de muitos leigos que frequentavam lugares errados.
Porém, o genuíno dom de rezar em línguas, nunca foi extinto da Igreja.
No interior dos mosteiros, e na vida de muitos fiéis piedosos e místicos, sempre ocorreram de rezar em línguas.
Veja esse relato da história de um Frei muito Santo, e como sua experiência de oração, se identifica com o carisma de orar em línguas:
4...Quando Frei Masseu ouviu contar essas coisas maravilhosas e percebeu que se tratava do tesouro da vida e da salvação eterna, ficou tão inflamado de amor para ter essa virtude da humildade, que merece com toda dignidade o abraço de Deus, 5 que, levantando o rosto para o céu em grande fervor, obrigou-se por um voto muito firme a nunca se alegrar neste mundo até que sentisse que essa humildade preclaríssima estava presente em sua alma.
6 Feito esse voto e santo propósito, permanecia continuamente fechado na cela, e se imolava sem cessar diante de Deus COM GEMIDOS INENARRÁVEIS (cfr. Rm 8,26). Pois lhe parecia que seria um homem plenamente digno do inferno, 7 se não chegasse a essa humildade santíssima, pela qual o amigo de Deus, de quem ouvira falar, cheio de virtudes julgava-se inferior a todos, e até absolutamente merecedor do inferno. 8 Ora, como Frei Masseu permaneceu triste desse jeito por muitos dias, imolando-se na fome, na sede e em muitas lágrimas, aconteceu que, um dia, entrou no bosque. Caminhando lá por dentro, soltava gritos queixosos e suspiros lacrimosos, pedindo que Deus lhe desse aquela virtude.
9 E, porque o Senhor cura os contritos de coração (cfr. Lc 4,18) e ouve as vozes dos humildes, ele ouviu uma voz do céu que clamou duas vezes: “Frei Masseu, Frei Masseu!”. Sabendo pelo Espírito Santo que se tratava de Cristo bendito, respondeu: “Meu Senhor, meu Senhor!”. E o senhor lhe disse: “O que estás disposto a dar, o que estás disposto a dar para possuir essa graça?”. 10 Frei Masseu respondeu: “Senhor meu, os olhos de minha cabeça”. E o Senhor disse: “Mas eu quero que tenhas a graça e os olhos!”. Então Frei Masseu ficou com tanta graça da desejada humildade e da luz de Deus, que permanecia em contínuo júbilo.
11 E MUITAS VEZES, QUANDO ORAVA , SOLTAVA UM MURMÚRIO UNIFORME, DIZENDO COM VOZ VELADA COMO UMA POMBA: “ U, U, U” e, com o rosto alegre e satisfeito entregava-se à contemplação. Com isso, tornou-se humilíssimo, mas se julgava o menor de todos os homens.
12 Frei Tiago de Fallerone, de santa memória, perguntou-lhe porque não mudava o verso no júbilo. Ele respondeu com a maior alegria: “Porque, quando se encontra todo bem em alguma coisa, não é preciso variar o verso”. Graças a Deus.
Não posso deixar também de citar um relato de Frei Leão, amigo íntimo de São Francisco de Assis, que dissera que muitas vezes via o santo rezar a arrulhar como uma pomba.
Nossas experiências de oração, diante de Deus onipotente, não poderia se limitar a palavras.
Sabemos que muitos irmãos colocam objeções a prática de rezar em línguas.
Mas através do testemunho desse piedoso Frei, podemos compreender, que o dom de línguas, não carece de explicações bem elaboradas, filosóficas e teológicas. Embora também seja possível explicar assim.
Porém, acima de tudo, o rezar em línguas, é uma manifestação interior, de almas que amam a Deus, que desejam louva-lo com todas as palavras que existem no mundo, que possa expressar a sua realeza diviníssima. Porém, e comum que nos falte palavras se tratando da grandeza de Deus.
Nosso louvor não podendo alcançar a majestade de Deus, nos resta cantarolar, gemer, e balbuciar burbúrios de amor, que certamente Deus que sonda a alma, compreende e recebe como incenso de suave odor.
PAZ E AVIVAMENTO
PABLO SOARES
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