A LUZ DO SACRÁRIO
A LUZ DO SACRÁRIO
Por:Pablo Soares (fundador da comunidade missionária Avivando Altares)
Em todo lugar onde houver um sacrário contendo a Eucaristia, haverá Sempre uma luz acesa.
Quando você entra em uma Igreja Católica, seja qual for a hora do dia, você se certifica que Jesus eucarístico está no sacrário, porque ao lado do mesmo, há sempre uma lâmpada acesa.
Fui criado pelos meus Avós. hoje em dia são falecidos. E das muitas recordações que tenho, me lembro dos meus tempos de juventude, quando comecei a sair para "dá uns rolês com a galera" a noite.
Sempre ao voltar para casa, ainda na esquina, avistava a luz da varanda acesa. Este era um sinal certo de que minha Avó estava assentada no sofá da sala me esperando chegar. Ela não dormia enquanto não me visse chegar.
No sacrário também, Jesus Eucarístico está de luz acesa, esperando a cada um de nós para fazê-lo um momento de companhia. Todas as vezes que passar em frente uma Igreja, e avistar por trás dos vitrais uma luz acesa, lembra-te que tem alguém te esperando.
No antigo código de Direito Canônico, prescrevia-se que a matéria que alimenta a luz do sacrário deveria ser azeite puro de oliva ou cera de abelha. Salientava-se assim o caráter sacrificial da lâmpada que se consome enquanto ilumina.
Sem energia elétrica, as lâmpadas eram pequenas chamas que se consumia dia e noite.
Assim é Jesus dia e noite se consumindo de amor por nós. E assim deveríamos nós, quais lâmpadas de fogo, nos consumir diante de Jesus Sacramentado.
Este costume começou no século XIII.dc (13) e a regra era que ao lado do sacrário onde se conservava o pão sacro, se mantivesse uma lâmpada acesa, que deveria ser alimentada de azeite puro, ou cera de abelha. Pois ao se consumir dia e noite diante da eucaristia, recordassem os cristãos o espírito sacrificial que deveriam ter diante da presença de Jesus, se consumindo em adoração.
O mesmo papel tem as velas no altar da Santa Missa.
No atual código, os cânones 938 e 939 dispõem sobre como deve ser o sacrário e o cuidado que se deve ter com ele. E o cânone 940 prescreve: "Diante do tabernáculo em que se conserva a santíssima Eucaristia, brilhe continuamente uma lâmpada especial, com a que se indique e se reverencie a presença de Cristo."
Não posso deixar de recordar a baluarte da comunidade missionária Avivando Altares, a Beata Alexandrina Maria da Costa, uma Mística portuguêsa, mais conhecida por ter influenciado o Papa Pio XII a efectuar a consagração do mundo ao imaculado coração de Maria.
Ela foi declarada Beata pelo Papa São João Paulo II a 25
de Abril de 2004.
viveu uma vida profundamente Eucarística.
Com 14 anos, no dia de sábado de Aleluia de 1918, estando a trabalhar em costura com a sua irmã Deolinda e outra menina, Alexandrina deu um salto da janela do quarto onde estava para defender sua pureza de agressores que invadiram a sua casa. Provocando por essa queda uma profunda lesão interna que progrediria ao longo dos anos.
Até aos seus 19 anos ainda se conseguia movimentar sofrivelmente, embora se arrastando ia a Santa Missa diária. Contudo, a paralisia foi-se agravando até 14 de abril de 1925, data em que ficou, definitivamente, de cama, durante trinta anos.
Sofria as dores da Paixão de Cristo todas as sextas feiras, superando milagrosamente a paralisia, se colocava de pé, e revivia as cenas dos quadros da via sacra, voltando depois a paralisia.
A partir 27 de março de 1942 deixou de se alimentar e de beber água devido as lesões. Nos seguintes 13 anos de vida, viveu exclusivamente da Eucaristia diária. Sem consumir nenhum outro alimento ou líquido, se tornando assim um milagre eucarístico vivo e falante. Podendo repetir com São Paulo: "Não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim"
Dizia Ela:"Jesus, tu és prisioneiro nos sacrários, e eu sou prisoneira em meu leito, assim fazemos companhia um para o outro"
Ela é um exemplo de alma reparadora e admiradora do Santíssimo Sacramento, nutrindo por Jesus Eucarístico um fervente amor esponsal.
Meditando sobre a lâmpada do Sacrário, ela escreveu em seu diário estes solusos de amor:
"Sou a Vossa vítima, a vítima da Eucaristia, a lampadazinha das Vossas Prisões de Amor, a sentinela dos Vossos Sacrários!"
Peçanos ao Espírito Santo, uma alma profundamente Eucarística, que arde e se consome de zelo esponsal por Jesus na hóstia Santa, desejando também nós sermos lâmpadas dos sacrários, vigiando em sua presença, sempre abrasados do mais fervoroso amor.
Digamos como Ela:
"Hó Mãezinha (...)Transformai-me toda em amor, consumi-me toda nas chamas do Amor de Jesus."
Comentários
Enviar um comentário